sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Bienal Internacional do Livro em Maceió

          Estarei na Bienal Internacional do Livro de Maceió no dia 30/10/13, das 19 às 22 horas autografando meus livros DEU VACA e PIPOCAS NO ASFALTO na "Praça de autógrafos". Será um momento muito especial para mim, já que não piso na minha terrinha há 12 anos e a secura é grande.
Clique no link para ver o convite oficial:







quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Pequenos detalhes em grandes momentos



    
     Trabalhando oito horas por dia e estudando à noite Mônica, viúva de marido vivo, só tinha a madrugada para ver os cadernos dos filhos, fazer seus trabalhos de faculdade e administrar o lar através de bilhetes autocolantes espalhados pela casa, na geladeira “Vitamina do Pedro às 15 horas.”, no vidro da janela do banheiro “Também gosto de banho.”, no fogão “Não fazer fritura para não empestear a casa nem nossos corações.”, no computador de Mila “Filha, só uma hora de internet por dia.”, no fundo da caixa de brinquedos do caçula Pedro “Filho, se está lendo este bilhete é porque os brinquedos estão espalhados por aí. Arrume.”,  e assim por diante.

Durante o dia a luta continuava pelo celular: Como assim o gato sumiu? Procurou no armário? Embaixo da cama? Já? Você deixou o forno aberto? Então olha lá. Achou? Ótimo. Mais alguma coisa, Albertina? Pedro não comeu brócolis? Negocia com beterraba. Não dá porque o fogão não está funcionando e acabaram os fósforos? Mas para tudo, fósforos para que se o fogão é de acendimento automático? Não me diga que você está fumando dentro de casa? É para a vela... Que vela pelo amor de Deus? Está faltando luz? Falou com o síndico e é só no nosso apartamento? Ai. Você pagou aquela conta que eu deixei contigo semana passada? Aquela era do gás? Tem certeza. Tá, tá, deixa que eu resolvo isso. O que fazer com a geladeira? O que a geladeira tem a ver com isso, Albertina? Saiu fumaça dela quando faltou luz ou faltou luz quando ela fumou? Faz diferença sim. E agora? Está fechada. Tudo bem, agora só quero saber se ainda sai fumaça. Não porque os bombeiros apagaram. Ah bom... O quê? Você abriu a porta para estranhos? Não me diga... Então eles arrombaram. Meu Deus... E as crianças como estão as crianças? Você não está ferida? Ainda bem. Fica calma, não foi culpa sua, o importante é que ninguém se feriu. O Pedro está bem e a Mila saiu... Saiu para onde? No vizinho usar a internet? Que vizinho? Você não sabe? Por que você não sabe? Lógico, ela não disse e você não perguntou. Era para perguntar? Não, claro que não, Albertina. Uma menina de onze anos sair para um vizinho desconhecido é a coisa mais natural do mundo. Por favor, chama o Pedro que eu quero falar com ele. Não pode atender por quê? Está com os bombeiros? Foi conhecer o carro grande vermelho? E você, Albertina, está fazendo o quê? Procurando fósforos. Faz sentido. Se o gato não tivesse sumido você teria me ligado, Albertina? Não iria me incomodar com besteira, sabe que eu não gosto. Está tudo bem Albertina, fez muito bem, fez muito bem. Calma, agora ouve. Esquece os fósforos, a geladeira e a vela.  Esqueceu? Tudinho? Muito bom. Agora vai procurar o Pedro e a Mila que eu estou levando para casa um eletricista e quero encontrar vocês três sentados no sofá. Ok? Então, tá. Beijo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

DE DENTRO do túnel do tempo

          Nossa, nem me lembrava mais disso! Muito legal. Meu pai achou esse recorte de jornal no túnel do tempo.
      Na verdade eu fiquei em 1º lugar no concurso porque o 1º colocado foi desclassificado posteriormente por concorrer com a tradução de um poeta francês. Nessa época eu era simpatizante da UBES, que já lutava pelo passe livre estudantil, contra o machismo e a ditadura militar. 
       Eu era de um idealismo inocente que hoje me faz falta; mas mantenho a essência. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Entre o trem e a onda


            O trem para na Central. A maré leva a onda para a plataforma enquanto o refluxo insiste. Água embarca, espuma desembarca. No meio Carlos, estática ante o redemoinho; fecha os olhos. Fura a onda sentindo a lambida do mar pelo corpo. A água está clara até os pés, fria de dar quase ar. Os poros, acupuntura. A braçada flutua de olho no horizonte, oscila para cima e para baixo. Lá adiante a onda sobe volumosa como bolo no forno correndo em sua direção. Carlos sente a puxada nas pernas anunciando recuo perfeito. Perfeito, nunca antes. Com os remos das palmas nada e nada e nada, nada a mais em direção a costa. Sentindo-se no meio, entre a crista e o Éden, perpendicula o corpo em prancha e, com o braço direito roto, quilha.  Enquanto o véu de mar o abraça, Carlos recebe os tons pastéis dos despedidos do dia, já quase nanquim borrado. A nuvem salgada domina norte-sul-leste-oeste. Breca e mergulha quase rente a si mesmo. Emerge com um movimento enxague. Gargalha as estrelas colhidas com os dois braços.

         Estação Madureira. Onda entra, onda sai. Carlos segue o fluxo e, na plataforma, é no mínimo suspeito.