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Bienal Internacional do Livro em Maceió

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          Estarei na Bienal Internacional do Livro de Maceió no dia 30/10/13, das 19 às 22 horas autografando meus livros DEU VACA e PIPOCAS NO ASFALTO na "Praça de autógrafos". Será um momento muito especial para mim, já que não piso na minha terrinha há 12 anos e a secura é grande. Clique no link para ver o convite oficial: https://mail-attachment.googleusercontent.com/attachment/u/0/?ui=2&ik=16c1af652f&view=att&th=141efe3e3d105c46&attid=0.1&disp=inline&safe=1&zw&saduie=AG9B_P-eXDYli_ZtOssqjgsetmt0&sadet=1382790443951&sads=lzoHHe9VHJxcDe3T1KlsKfx-S4c&sadssc=1

Pequenos detalhes em grandes momentos

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          Trabalhando oito horas por dia e estudando à noite  Mônica, viúva de marido vivo, só tinha a madrugada para ver os cadernos dos filhos, fazer seus trabalhos de faculdade e administrar o lar através de bilhetes autocolantes espalhados pela casa, na geladeira “Vitamina do Pedro às 15 horas.”, no vidro da janela do banheiro “Também gosto de banho.”, no fogão “Não fazer fritura para não empestear a casa nem nossos corações.”, no computador de Mila “Filha, só uma hora de internet por dia.”, no fundo da caixa de brinquedos do caçula Pedro “Filho, se está lendo este bilhete é porque os brinquedos estão espalhados por aí. Arrume.”,  e assim por diante. Durante o dia a luta continuava pelo celular: Como assim o gato sumiu? Procurou no armário? Embaixo da cama? Já? Você deixou o forno aberto? Então olha lá. Achou? Ótimo. Mais alguma coisa, Albertina? Pedro não comeu brócolis? Negocia com beterraba. Não dá porque o fogão não está funcion...

DE DENTRO do túnel do tempo

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          Nossa, nem me lembrava mais disso! Muito legal. Meu pai achou esse recorte de jornal no túnel do tempo.       Na verdade eu fiquei em 1º lugar no concurso porque o 1º colocado foi desclassificado posteriormente por concorrer com a tradução de um poeta francês. Nessa época eu era simpatizante da UBES, que já lutava pelo passe livre estudantil, contra o machismo e a ditadura militar.         Eu era de um idealismo inocente que hoje me faz falta; mas mantenho a essência. 

Entre o trem e a onda

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            O trem para na Central. A maré leva a onda para a plataforma enquanto o refluxo insiste. Água embarca, espuma desembarca. No meio Carlos, estática ante o redemoinho; fecha os olhos. Fura a onda sentindo a lambida do mar pelo corpo. A água está clara até os pés, fria de dar quase ar. Os poros, acupuntura. A braçada flutua de olho no horizonte, oscila para cima e para baixo. Lá adiante a onda sobe volumosa como bolo no forno correndo em sua direção. Carlos sente a puxada nas pernas anunciando recuo perfeito. Perfeito, nunca antes. Com os remos das palmas nada e nada e nada, nada a mais em direção a costa. Sentindo-se no meio, entre a crista e o Éden, perpendicula o corpo em prancha e, com o braço direito roto, quilha.  Enquanto o véu de mar o abraça, Carlos recebe os tons pastéis dos despedidos do dia, já quase nanquim borrado. A nuvem salgada domina norte-sul-leste-oeste. Breca e mergulha quase rente a si mesmo. Emerge com um movimento e...

Idas, vindas e o enigma do frango assado

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         O frango girava na televisão de cachorro enquanto a fila salivava. Ida ficou na fila mais por licença poética do que por fome. Não se lembrava da última vez que sentira fome de comida. Tinha sim uma indescritível fome de gente, de letras, de sons e cores. Aquele frango pelado, empalado do rabo ao pescoço, lembrava o sofrimento de Cristo e despertava em Ida a maternidade invólucra. Deu dó, vontade de protegê-lo de tanta humilhação diante daquela horda de pecadores. A compaixão despertada num  equívoco, a falta de legenda nas pessoas e o amor imenso traduzido numa elaborada crítica, num lapso de vírgula, numa negação em manifesto de apreço.          Pensando além, que vida boa daquele frango assado. Sem questões tubulares, sem porquês assombrosos, sem futuro analítico. Apenas o quentinho do berço do inferno imune ao seu redor. Ao redor do espeto rodando, girando e sempre as voltas pro mes...

Cida e a televisão

        Em 2006 meu filho, Ian C Angeli, me intimou a participar, com o conto "Cida e a televisão" do concurso Contos do Rio, do jornal O GLOBO e fiquei entre os 10 finalistas. O tema era "futebol". Graças ao acervo do jornal O Globo pude resgatar essa publicação em 29/07/2006,  Caderno Prosa & Verso, página 2: http://acervo.oglobo.globo.com/busca/?tipoConteudo=pagina&busca=a+marca+de+denser

Uma luva vermelha em Porto Alegre

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Cesário segue pela Rua dos Andradas pensando se o frio encolhe ou desperta os neurônios. Sabe que o ar inóspito empurra para debaixo das cobertas. Haja gana para comer as esquinas, placas e meios-fios gelados “à la minuta”. Anda por calçadões apinhados e vidros estilhaçados de agências bancárias. A noite anterior fora a mais longa dos últimos trinta anos e nunca estivera tão acordada. Chegaria a tempo? Na beira do Guaíba senta num banquinho improvisado vendo o povo encasacado tomando chimarrão e jogando conversa na correnteza. A garrafa térmica, o pote de erva e a cuia, que nos trópicos seria um trambolho, harmonizam-se perfeitamente entre tantos panos. É um povo bem estranho, sai de casa com sete graus molhando os ossos, todo embrulhado em várias camadas de roupas. Lá pelas tantas, com o sol subindo, vai retirando as cascas aos poucos, feito cebola. Vê-se na rua um monte de gente-varal, com casaco, suéter, cachecol, luva e gorro pendurados nos braços. Ninguém reclama, sabem qu...