Postagens

Música de elevador

Imagem
             Feliz Ano Novo com a saga de Maria do Rosário. Escrevi este conto para os que continuam na luta. http://www.divulgaescritor.com/products/musica-de-elevador/          Arrumou a trouxa envolta em três sacos pretos de lixo. Equilibrou na cabeça e partiu. Precisava chegar à estação de trem antes que a tempestade desenhada no céu virasse realidade na Terra. Acelerou o passo. Acuda minha Santa Edwiges, valei-me nesta hora. Os petardos de água batiam descompassados no plástico fazendo plim-plong, plim-plong. A rua encheu mais rápido do que as pernas alcançavam. Um pé de água deu-lhe uma rasteira. Enfiou os braços entre os cordões da trouxa antes de cair na corrente. Perdeu os chinelos, fechou os olhos e deixou o corpo ser levado. Lembrou-se do caixote que levou ainda menina na praia de Copacabana. Era só esperar a onda estourar na praia, ajeitar o biquíni, tirar a areia dos fundilhos e pronto. Você não está ...
Imagem
  Estou assinando uma nova coluna no site  http://www.divulgaescritor. com/products/oasis-de-natal- por-catarina-cunha/        A crônica inaugural é a festejada "Oásis de Natal". Toda quinzena estarei publicando uma  crônica ou conto inéditos. Aguarde a de fim de ano na próxima quinzena.        Abraços,

Impressões de amor e dor em Maceió.

Imagem
A pichação no muro em Cruz das Almas anuncia: “Não seja tolo de acreditar em alguém que não pode nem transformar sua própria vida” enquanto potoqueiros agem impunemente. Sombra de barraca de palha, vento na cara, mar morno brilhando todas as cores dos meus humores em verde, azul, branco, amarelo e... preto. Preto? Arrastando sargaço com os pés estanco. Pecado, penso pulando a língua negra tingindo o mar da Ponta Verde. Pinceladas de cinza matinal. Macaxeira, tapioca, manteiga de garrafa, maxixe, quiabo, boneca de vestido de chita, amendoim cozinhado, queijo coalho, sururu de capote, agulha branca, família farta e amorosa, amigos íntimos para a eternidade. Ensopado de massunim, taioba no shoyo com velhos amigos, picolé de amendoim Caicó, paçoca, bolo de milho, canjica, mingau de aveia e inhame feito pelo próprio pai, céu estrelado, Vênus ou a estrela Dalva balançando no coqueiro? Porteira escancarada, mar que come terra, fumaça, cães fiéis e café coado na confidência das amig...

Bienal Internacional do Livro em Maceió

Imagem
          Estarei na Bienal Internacional do Livro de Maceió no dia 30/10/13, das 19 às 22 horas autografando meus livros DEU VACA e PIPOCAS NO ASFALTO na "Praça de autógrafos". Será um momento muito especial para mim, já que não piso na minha terrinha há 12 anos e a secura é grande. Clique no link para ver o convite oficial: https://mail-attachment.googleusercontent.com/attachment/u/0/?ui=2&ik=16c1af652f&view=att&th=141efe3e3d105c46&attid=0.1&disp=inline&safe=1&zw&saduie=AG9B_P-eXDYli_ZtOssqjgsetmt0&sadet=1382790443951&sads=lzoHHe9VHJxcDe3T1KlsKfx-S4c&sadssc=1

Pequenos detalhes em grandes momentos

Imagem
          Trabalhando oito horas por dia e estudando à noite  Mônica, viúva de marido vivo, só tinha a madrugada para ver os cadernos dos filhos, fazer seus trabalhos de faculdade e administrar o lar através de bilhetes autocolantes espalhados pela casa, na geladeira “Vitamina do Pedro às 15 horas.”, no vidro da janela do banheiro “Também gosto de banho.”, no fogão “Não fazer fritura para não empestear a casa nem nossos corações.”, no computador de Mila “Filha, só uma hora de internet por dia.”, no fundo da caixa de brinquedos do caçula Pedro “Filho, se está lendo este bilhete é porque os brinquedos estão espalhados por aí. Arrume.”,  e assim por diante. Durante o dia a luta continuava pelo celular: Como assim o gato sumiu? Procurou no armário? Embaixo da cama? Já? Você deixou o forno aberto? Então olha lá. Achou? Ótimo. Mais alguma coisa, Albertina? Pedro não comeu brócolis? Negocia com beterraba. Não dá porque o fogão não está funcion...

DE DENTRO do túnel do tempo

Imagem
          Nossa, nem me lembrava mais disso! Muito legal. Meu pai achou esse recorte de jornal no túnel do tempo.       Na verdade eu fiquei em 1º lugar no concurso porque o 1º colocado foi desclassificado posteriormente por concorrer com a tradução de um poeta francês. Nessa época eu era simpatizante da UBES, que já lutava pelo passe livre estudantil, contra o machismo e a ditadura militar.         Eu era de um idealismo inocente que hoje me faz falta; mas mantenho a essência. 

Entre o trem e a onda

Imagem
            O trem para na Central. A maré leva a onda para a plataforma enquanto o refluxo insiste. Água embarca, espuma desembarca. No meio Carlos, estática ante o redemoinho; fecha os olhos. Fura a onda sentindo a lambida do mar pelo corpo. A água está clara até os pés, fria de dar quase ar. Os poros, acupuntura. A braçada flutua de olho no horizonte, oscila para cima e para baixo. Lá adiante a onda sobe volumosa como bolo no forno correndo em sua direção. Carlos sente a puxada nas pernas anunciando recuo perfeito. Perfeito, nunca antes. Com os remos das palmas nada e nada e nada, nada a mais em direção a costa. Sentindo-se no meio, entre a crista e o Éden, perpendicula o corpo em prancha e, com o braço direito roto, quilha.  Enquanto o véu de mar o abraça, Carlos recebe os tons pastéis dos despedidos do dia, já quase nanquim borrado. A nuvem salgada domina norte-sul-leste-oeste. Breca e mergulha quase rente a si mesmo. Emerge com um movimento e...