quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A Nave (40º lugar no desafio www.entrecontos.com.br)




         A Nave foi criada através de um estudo que durou meio século. Dotada de atmosfera autorregulável e autolimpante prescindia de filtros. Transparente em toda sua circunferência recebia luz regulada naturalmente, alimentando seus geradores dia e noite. Gerava sua própria água fundindo luz com o oxigênio artificial. As hortas não manipuladas eram semeadas, nasciam, cresciam e eram colhidas pela própria nave, evitando assim contaminação cruzada. Estava preparada para uma longa viagem.
O feito inédito, visitar um planeta de outra galáxia, exigiu um plano de exatidão matemática. A nave seria lançada através do grande arco atmosférico que se abria periodicamente. Uma grande massa de ar empurraria a densidade da nave maleável para o espaço. A viagem seria lenta e longa. O pouso estava previsto para  09:42:12 horas de 03/07/2463 – hora local - em um campo  de luminosidade intensa porém fresca, solo macio apenas o suficiente para suavizar o impacto do pouso.
O lançamento foi perfeito. A equipe comemorou emocionada. As condições atmosféricas estavam dentro do previsto. A nave cumpriu sua função em todos os setores. O comandante, exultante, mandou que todos se preparassem para o pouso. Não havia o que fazer. A própria nave estava programada para pousar sem a interferência da tripulação, basicamente de cientistas.
O comandante, horrorizado, viu o campo de pouso se aproximando inexoravelmente. Convocou toda a tripulação com urgência.
¾   Senhores houve uma falha inexplicável no projeto. A nave está condenada. Foi uma honra fazer parte desta equipe de bravos que deram suas vidas pela ciência. Nosso planeta nunca mais será o mesmo depois de todos esses avanços. Mas como não previmos esta variável?

Uma menina sopra numa argola. Uma bolha de sabão é lançada no ar e viaja pelo céu do jardim. Um grande pastor alemão dorme no gramado de barriga para cima, com a boca aberta e a língua pendurada. A bolha de sabão explode na sua boca. Ele abre um olho, boceja e volta a dormir.