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Mostrando postagens de Agosto, 2012

Caminhar é preciso e todos os caminhos levam ao mesmo lugar.

Não por recomendação médica ou almejando perder alguns gramas pelas ruas. Caminhamos por caminhar. Varamos horas por ruas e trilhas da cidade. Subimos comunidades por vielas estreitas escoltados por valentes cães sarnentos, gatos arredios, fios caóticos cruzando nossas cabeças, crianças correndo descalças, soltando pipa na laje, mulheres estendendo roupas no varal, homens unindo tijolos para mais um cômodo. Chapéu Mangueira, Dona Marta, Cantagalo, Vidigal, cheiro de arroz refogado no alho, feijão preto com costela e carne assada na panela. O samba e o funk impulsionados pelo vento, suor e alento na vista da cidade.
                Percorremos recantos de mansões escondidas por muros altos e câmeras de segurança, jardins perfeitos, carros brilhantes com vidros escuros sugados por garagens de portões com pintura nova e nenhuma viva alma nas ruas com cheiro de nada. Pinçados na zona sul, zona norte, zona oeste. Beleza de mega-sena entre o desejo empírico e o repúdio lógic…

Um brinde ao medo

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Medo não é um brinde que vem amarrado com um laço de fita no nosso cordão umbilical. Nasce do acaso e vai se criando independente de maiores investimentos. Um acaso inerente à vida e cada um têm o seu. Tem gente que teme a morte e outros em não alcançá-la no tempo certo. Há os que fogem do diabo com o mesmo horror com que fogem da cruz. Há medo de buraco, escuridão, vazio e silêncio convivendo alegremente com o terror da luz da ribalta e das multidões. Tem medo de todo tipo de bicho: gato preto, malhado, gatonet e gatos sedutores; cachorrão, cachorrinho e também das cachorras da noite. Do rato, ouriço, bicho-de-pé, voando ou deitado, barata, formiga, leão da selva e do imposto de renda. Do vírus da gripe, AIDS, ebola, tatu-bola e também de bola nas costas. Há quem se borre todo de urso-panda, beija-flor e banda larga que não conecta. Tem os pânicos hospitalares, urológicos, psicológicos, psicóticos, óticos, robóticos e micóticos. Os mais complexos preferem o medo do além, além-túmulo…