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Mostrando postagens de Janeiro, 2009

Queridas latinhas

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- Sabe aquele monte de latinhas fedorentas?
- O que tem?
- Estava ocupando muito espaço na estante.
- E?
- É. Vendi.
- Você vendeu a minha coleção de latinhas que junto desde o meu primeiro porre?
- Essa mesma. A estante agora cabe até livro.
- Você enlouqueceu? Não me respeita mais? Jogou toda a minha história no lixo?
- História? Você passou a vida toda de porre; não se lembra de nada mesmo.
- O que você fez com o dinheiro?
- R$25,00? Paguei o salão.
- R$25,00 por 250 latas, dezenas raras e algumas de cervejarias extintas para pagar tinta de cabelo!
- Reciclagem. Palavra de ordem do momento.
- Não posso acreditar, Ester. Todo o nosso amor, carinho, amizade reduzido a R$25,00.
- Menos drama, Abelardo, menos! Foram só umas latas velhas...
- Ester, você não consegue entender, você destruiu tudo que ainda poderia haver entre nós.
- Deixa de besteira homem, sou eu, sua fiel escudeira.
- Não, mulher. Não reconheço mais em ti uma companheira. Estou indo embora traído.
- Não esquece o casaco, está uma arage…

Lista de ódios

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Quando eu tinha doze anos escrevi minha primeira lista de ódios. Nela incluí a professora de matemática rindo da minha prova e a boazuda da rua implicando com os meus peitos inexistentes. Lá figuravam as discotecas e qualquer coisa que brilhasse, a escola, os amigos (todos inimigos em potencial) e a sindica do prédio. Não poupei nem Deus e nem o Diabo, escrevi tudinho mesmo. Até mesmo calçada com pedras portuguesas porque eu odiava pisar em linhas.
Com o passar do tempo fui atualizando a famigerada lista que crescia a olhos vistos. No auge da adolescência, contabilizava mais de cem ódios, dos quais vinte profundos. Alguns ódios se mantiveram durante anos nas primeiras colocações, como matemática, ditadura militar, chocolate, anel, perfume, esmalte, dobradinha, maquiagem, apito de guarda noturno, carro, gente que grita e gente que não fala nada, mas ri o tempo todo.
Um dia, inspiradíssima, encontrei um novo ódio e escrevi sem pensar:
Odeio odiar.
Aquilo me arrepiou até o pino da caçole…