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Mostrando postagens de Novembro, 2015

Meu primeiro assédio

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O assunto da moda é o primeiro assédio. Antes de entrar neste ponto gostaria de contar como descobri que era diferente dos meninos. Eu tinha dez anos e não lembro o que estava fazendo. Soltando pipa, fazendo cerol, jogando queimado, pique esconde, pique bandeira, pelada, amarelinha? Não sei. Estava descalça e sem camisa, só de short, como todas as crianças que brincavam no asfalto fumegante enquanto não vinha carro. As camisas e chinelas ficavam amontoadas na calçada. Neste dia minha mãe me arrastou pra casa e me informou oficialmente: “Você é uma mocinha e não pode mostrar os peitinhos na rua.” Aleguei a mais pura verdade, que eu tinha peitos iguaizinhos aos dos meninos e que eu brigava com eles de igual também. Até os meus cabelos curtinhos e desgrenhados eram iguais aos deles.   Piorou minha situação, fiquei de castigo meia hora porque lá em casa ninguém nunca apanhou e castigo tinha limite; eu é que não tinha. Vira e mexe “esquecia” da proibição sem sentido, principalm…

Um quilo de tomates (7º lugar no desafio www.entrecontos.com.br)

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¾Glorinha, minha flor, precisa de ajuda aí na cozinha? ¾ Mô, vou fazer aquela macarronada que você adora. Vai lá ao mercado rapidinho e traz um quilo de tomate bem maduro. Um quilo só e tem que ser do débora que é pra molho. Traz também uma garrafa de vinho daquele que só você sabe escolher.                     Era a deixa que Reboque estava esperando. ¾ Pode deixar, minha flor, volto já! ¾ Olha só, vai pela avenida para não passar pelo boteco do Seu Dodoca. Se eu tiver que sair daqui e te encontrar jogando porrinha com aqueles trastes eu te mato. ¾ Não vou passar nem perto.                     Reboque chega esbaforido. A mesa para a Grande Final do Campeonato de Porrinha do Boteco do Seu Dodoca já está lotada. ¾ Porra, Reboque, já ia começar sem você! ¾ Só por cima do meu cadáver.  Vou soprar você da mesa rapidinho, Farofa. Bora logo que hoje eu estou possuído. Não tem pra ninguém. Seu Dô, traz logo uma gelada para lavar a serpentina. ¾ Ó, vou servir, mas se a Glorinha aparecer aqui quebra…