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Mostrando postagens de Maio, 2009

O mar de Beth

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Cada um que chegava, batia seu ponto e sentava imediatamente à bancada de trabalho. Com o consumo das horas, o falatório aumentava cada vez mais. Beth não se estressava, nascera para o SAC. Atendia cada consumidor como um destemido salva-vidas. Lançava-se em ondas gigantescas para resgatar um direito perdido ou uma informação afogada. Sabia ouvir o desespero sem perder o controle da maré. E ainda guardava fôlego para, ao final, reanimar o cliente com massagens no ego e soluções salvadoras. Nunca perdera uma vida, isto é, um cliente. Tal qual heroina de guerra, mantinha as inúmeras condecorações penduradas no lado esquerdo do peito.
Em sua primeira ligação do dia, sentiu a maresia gelada do outro lado da linha:
- Bom dia? Só se for prá você!! Quero encerrar a minha conta agora e não aceito argumentações. Não ouse desligar ou transferir esta ligação para o setor X, Y ou Z, pois anotei seu nome, cara Beth! Fui claro?
- Muito claro, senhor. O senhor gostaria de…

O carcará de pés azuis

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Batizou o filho com nome nobre: Artur, o rei, não teria futuro semelhante aos seus; nascera para ser grande. Em que? Não interessa, Deus sabia, avisou.
Foi numa alvorada abafada que, Maria, sôfrega, trincou os dentes no paninho e expulsou o rebento do paraíso. Quase não sangrou e, ao ver a luz, Artur chorou.
O pai olhou pela janela e viu o céu cor-de-rosa paralisar as folhas do cajueiro, de susto. O carcará espreitou a moita, inerte, calculando o sabor da presa. Antes que a nuvem soçobrasse na caatinga, um assovio de assombro virou vento embolando a cortina de chita, assustando as moscas posseiras do cão esquálido que dormia ali, na sombra de qualquer coisa parada.
A ventania veio no maior vexame: corre daqui, corre dali, tira a roupa e o charque do varal, bota as crianças pra dentro e fecha a porteira cacarejada das galinhas.
Era o aviso.
O pai, mais que depressa, pegou Artur entre as mãos rachadas e o ergueu aos céus para ser abençoado. O Celeste arrancou de Artur o cueiro em fú…

Pequeno poema pueril: pobre poeta

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Pesco palavras perdidas
Próximas ao perpétuo padrão
Pelo paradoxo prolixo
Peço perdão
Perto das pendências
Peco pelo pontual pedaço provocador
Pendente na persona palhaça pestilenta
À pedra e à pá persigo
A prosa prostituída, parto
Para a paródia proscrita
Presa perene das patas
Provocadoras do peito pétreo
Paro e penso pouco
Pois provo a parcos pingos
A promessa de paixão