quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Esporro



Não faça ouvido moco, moleque, com esse buraco da maldade. Não te criei ouvindo canário para vomitar urubu depois de tirar os cueiros. Vou cuspir no chão e, antes de secar, quero tua cara de cagão aqui. Não adianta dar chilique nem botar tromba que eu não tenho medo de murrinha. Se apanhar na rua de novo dos maloqueiros carunchos e borrar o pino da caçoleta saiba que o cinto vai cantar na carcunda até fazer caminho de lacraia. O quê? Fala direito estrupício! Come como são e fala como doente. Parece que tem miolo mole. Como é que é? Vai retrucar empinando as ventas? Tua mãe não te deu educação? Tinhoso como o cunhado e enxerido como a sogra. Em vez de tratar a roça pra empedrar os braços fica aí de flozô com os livros até o cu da noite gastando candeeiro. Fica assim, xôxo, com vudum de preguiça. Depois me vem com renda de trancoso e não quer levar esporro. Nada de fliquiti e toma temência. Tenho dito. Pede a bença e xispa!
- A bença, meu pai.
- Deus te abençoe, meu filho. Passo de jumento e olho de carcará na estrada, um pé lá e outro cá, viu?