sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Voltei. Depois de doses cavalares de Chá de Sumiço, volto levinha, Catarininha-paz-e-amor. Para festejar o feliz retorno segue uma crônica:

Caminho para a terapia



- Mô, o bebê tá chorando...

- Eu ouvi.

- Não vai fazer nada?

- Não. Pode ser cocô, xixi, fome, cólica e...

- Frescura.

- Maldade. Vou lá.

- Faça isso. Eu vou dormir.

- Você é muito egoísta.

- Não, sou muito cansado de trabalhar o dia todo para você brincar de casinha com esse moleque que só tá de olho no seu peito.

- Não acredito que você está com ciúmes.

- Estou exausto para tanto.

- Você não liga para seu filho. Sabia que hoje ele falou?

- Pediu o quê?

- Água.

- E você deu?

- Dei peito.

- Do que adianta ele falar se você não ouve?

- Marcondes, você é insensível.

- Você é que é. O garoto desesperado de sede, fala pela primeira vez e você finge que não entende. Pelo jeito vai ser assim pelo resto da vida.

- Eu amo o meu filho.

- Não parece...

-Ah! Eu sou uma péssima mãe, ele vai ficar traumatizado. Vai ter déficit de atenção. Já percebo que ele fica olhando para um monte de coisa ao mesmo tempo. Vai fazer terapia até morrer.

- Menos, Rute, menos...

- Eu sei que você não acredita na minha capacidade. Sempre quer mais de mim. Eu não sou a sua mãe, viu? Quando eu falo que vou colocar o Junior na natação você pergunta logo se eu já consultei a sua mãe, que nem nadar sabe.

- Ela pode ajudar.

- Pensa que eu não vejo pelo canto do olho sua mãe balançando a cabeça e sibilando tchi...tchi...tchi quando me vê cuidando do MEU filho? É porque você não me ama. Se amasse não deixaria ela fazer isso comigo. Vai onde? Ainda não terminei. Odeio quando estou falando verdades e você sai de fininho...

- Vou pegar aquele pentelho e dormir com ele no sofá.