quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Obra do tempo



Procurou a noite inteira por todos os bares e por toda a praia. Buscou atrás da orelha e no bolso da calça. Ao meio-dia, vasculhou a geladeira a procura do amado, talvez num pote lacrado. Como isso poderia ter acontecido? Estava com ele ali nas mãos e, em um segundo...Bulucutufe!!!Sumiu! Será que deixou de prestar atenção a algum detalhe? Refez todos os caminhos, todas as falas e gestos, vasculhando jardins, banheiros e elevadores. Tentara de menos ou de mais? Quem sabe dentro de outra bolsa ou outro casaco? Nada importante desaparece assim, deve estar por aqui, pertinho...
Chorou muito, descabelou-se em noites insones e dias infindáveis. Depois de algum tempo, cansou de procurar e tocou a vida.
Muitos anos depois, arrumando papéis velhos numa gostosa manhã bem acompanhada, encontrou o antigo namorado esquecido na segunda gaveta da estante da sala. Olhou longamente o objeto e se perguntou por que guardara aquilo por tanto tempo. Jogou fora e continuou a limpeza.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sinto muito



Eu sinto tantas coisas e as coisas
Se apoderam de mim sem que
Minha alma se aperceba do canto mudo das horas
Padeço tal febre de catapora do vento entregue ao devaneio
Besta- fera sigo obstinada
O caminho tropego dos poetas perdidos
Pois vivo o dia que nasce para matar a noite
A aniquilar a fonte que cria a água e respira
A arfa da solidão em goles múltiplos
Solto golfadas de ar e o vômito fica
Na dor de tua ausência