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Mostrando postagens de fevereiro, 2014

Lixo acumulado

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(Foto Arte Roa) Subiu no coreto da praça numa seca manhã, abriu os braços e anunciou: - O fim está próximo! Para você, para você e para você aí também que bebe inocentemente sua água de coco. Os dias estão contados para estas árvores centenárias e seus pombos cagadores. E não pense que esse cachorro de cara achatada e olhos esbugalhados terá salvação. Todos, todos morrerão quando o céu se abrir em fogo e soltar o hálito da besta nas nossas ventas! Foi juntando gente. Seu Milito da banca comentou com seus jornais: O Zé das Tintas pirou de vez. Muita cachaça ou chifre; só pode. - E quem duvidar há de boiar nas caixas de gordura do belzebu com a cabeça raspada com gilete enferrujada! - Sai daí maluco! Gritaram da arquibancada. - Quem ousa retrucar a palavra sagrada há de ser o primeiro a conhecer o breu eterno. Lá pela quarta fileira da plateia um passante estica o pescoço: - O que foi? É briga ou maluco? - Maluco. É o Zé das Tintas. Tem três meses que não consegue um r...

Pequenas animalidades do cotidiano

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(Foto Sammy Angeli)          Calor do cão. Clássico no Maracanã lotado, recém-reformado, telão, cadeiras fofas, papel higiênico nos banheiros, luzes escalafobéticas, padrão FIFA mesmo.  O campo ali esfregando no nariz do torcedor a grama suada. Sensação de primeiro mundo.  Vira-lata orgulhoso.          O juiz apita o começo da apoteose. Uhú! Todo mundo levanta, faz marola, punheta bandeiras, canta hino e quica. Coisa de louco. Eis que chegam os personagens onipresentes nos clássicos: a valente polícia carioca. Formam um paredão bem na frente da arquibancada tomando toda a paisagem sagrada. A galera estica pescoço se balançando tal boneco do posto para ver o gramado. E a PM lá mantendo a formação de reticências emparedando o espetáculo.  Ninguém ousa reclamar.          Ocorre que Samuel, nascido no Rio Grande, criado pescando no rio Taquari, ado...