sexta-feira, 6 de março de 2009

Prosa vice-versa


Helô não admite ser chamada de mãe de juiz ou vagabunda, diz ter apenas uma essência ordinária. Mora há cinco anos com um companheiro fiel e trabalhador que, compreensivo, sabe da natureza arbitrária de Helô e a sustenta com orgulho. Ela declara amor eterno ao “Seu Corninho”, como ela mesma o chama carinhosamente, mas que na hora do sexo gosta mesmo é de mulher com bundão; embora dê o rabo pro maridão uma vez por semana a título de prêmio. É homem bom e de poucas palavras e taras. Muitas tem ela, o que não é segredo prá ninguém; nem para a filha adolescente que vê na mãe uma mulher honesta. Ninguém duvida. Helô fala a verdade o tempo todo. Poucos aguentam tanta desfaçatez. É mãe de família zelosa e dona de casa caprichosa. Faz questão de mostrar a foto do “Seu Corninho” e da filha no celular ao mesmo tempo que belisca a bunda de uma morena distraída. Fala alto, cospe no chão, joga bola e porrinha com os amigos do bar. Tem a boca carnuda de onde sai os piores palavrões encaixados em frases de efeito. Orgulha-se de não enganar ninguém, no entanto tem gente que se engana com ela. Fazer o quê?
No fundo, Helô é um homem ordinário num corpo de uma mulher honesta...Ou vice-versa?

Um comentário:

Sylvia Regina Marin disse...

Ha! ha! ha!
Ótimo texto (como sempre)!