sábado, 4 de abril de 2009

A princesa e o poeta


Nestor apresenta-se como poeta prolífero e radical, mas nos últimos tempos anda carente de musas inspiradoras. Vagando cabisbaixo pela Rua Bento Lisboa, por descuido, entrou no aviário. Parou diante da gaiola e viu-se arrebatado pelo olhar de uma galinha cor de mel. A penosa gritou e Nestor arrepiou-se todo. Foi amor à primeira vista. Comprou o bicho e correu prá casa ofegante.
Batizou a ave de Princesa e passou a tarde toda assistindo a diva ciscar no tapete. À noite, com o apartamento já todo cagado, o poeta começou a escrever seu poema épico galináceo. Varou a madrugada digitando os versos sofregamente enquanto a mascote dormia no sofá. Desencanara, estava de volta à velha forma. Como não pensara nisto antes? Uma galinha princesa!
No dia seguinte, para comemorar com os amigos o triunfante retorno da inspiração, preparou Princesa ao molho pardo.

2 comentários:

myriamdef disse...

antropofagismo ou simplesmente saudável fome?
my

ivo de souza disse...

Teus mini contos são um barato