sábado, 12 de setembro de 2009

Onze a nove



Primeiro a rainha do oriente derrubou a primeira torre. Sem defesa, o rei viajandão do novo mundo viu sua segunda torre ruir sobre um exército de peões aturdidos. Sua rainha descansava e nada sentiu. Os bispos postaram-se silenciosos em defesa do rei, mas recuaram diante de uma muralha estratégica de bispos adversários suicidas. O rei, à frente da opção de salvar sua rainha e o restante de seu povo deitando-se honrosamente sobre o tabuleiro, subiu ao púlpito e jurou vingança. Num último movimento desesperado, virou o tabuleiro fazendo com que seus homens e adversários embolassem numa única estatística. Enquanto isso, o rei do oriente comemorava nas montanhas. A partida acabou sem que restasse em pé uma peça de testemunha. Pretas e brancas jaziam entre os quadrados manchados pela batalha. Só quem ganha é a guerra porque, para os reis, o jogo nunca termina.

2 comentários:

Sylvia Regina Marin disse...

Positivamente, Catarina, você domina a arte de juntar as palavras.
Beleza!

myriamdef disse...

Catá, eu acrescentaria que você domina a arte de juntar as palavras chegando a conclusões filosóficamente inconfutáveis: "quem ganha é a guerra..."
Parabéns
my