O piano e o Opala que virou Toyota

O piano e o Opala que virou Toyota Quando o piano despencou da nona janela e se espatifou na capota do Toyota do delegado Frazão, não ficou uma testemunha para registrar ocorrência. Quem estava no prédio se fingiu de cego e quem não estava riu muito, certo que escondido. Frazão tem fama de violento e dono da verdade. Dizem que ele foi do tempo que a polícia civil circulava por aí de Opala com a mala cheia de presunto vencido. Vizinho é lixo, mulher tem seu preço, família boa é família longe, amigo é o que paga conta. Ninguém mexe com ele. Embora todos saibam que nos últimos tempos Frazão vem amolecendo. Dizem que por obra e graça de Norminha, professora primária de corpo e sorriso farto e massa cinzenta nem tanto. Balzaquiana de trança acima de qualquer suspeita. O amor fincou mudanças visíveis no delegado. A camisa fechada até a gola não mais exibindo o peito cabeludo entre as correntes de ouro, o cabelo limpo e penteado, o sapato engraxado e a camisa por dentro da calça. Se nã...