sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A cigana leu o teu destino


A cigana coloca as cartas e joga sobre ele um olhar 3 x 4. Coisa boa não pode ser, pensa.

- Vejo um manto negro cruzado por um rio de sangue no meio do corpo. Do pescoço uma cascata branca escorre pelo peito. No dedo da rainha assassinada um diamante coberto com sangue. Todas as pedras de vítimas de injustiças viraram rubis.

- Ai...

- Sorte. Vejo claramente.

- Onde? Onde?

- Na cabeça. Está bem claro nesta carta aqui. O peso da balança da sabedoria equilibra o corpo. Na mão a espada de fogo com gumes nas duas extremidades.

- De quê?

- De ida, de volta. Positivo e negativo. Verdade numa ponta e a mentira na outra, ambas ao alcance do livre arbítrio.

- Como se segura uma espada com dois gumes?

- Pelo meio. Com muito cuidado e os olhos vendados.

- Parece perigoso.

- E é. Também sem volta. Ao assumir a espada jamais poderá voltar ao reino da inocência. Haverá dias escuros como a noite e noites insones de ideias iluminadas. Em vários momentos terás apenas a sombra de tuas leis como aliada e, em alguns, nem ela para lembrá-lo dos motivos que o levaram à guerra. Nestas horas terás de fazer grande esforço para não abrir os olhos e trair teu juramento. Não sucumbirás à imagem em detrimento da equidade. E quando a era da colheita chegar saberás cortar e sarar com a modéstia de um servil e sem a petulância de um rei.

- Afinal, o que serei?

- Livre.

6 comentários:

Sammy disse...

Hummm! Enigma.

Sylvia Regina Marin disse...

Grande mãe. Grande filho. Beijos.

Valeria Rollemberg disse...

serve para todos os filhos e todas as MÃES!!! mto bom¹

Marilia disse...

Muito bem!!

Maria de Deus disse...

Infelizmente a liberdade é uma utopia, mas para aqueles que têm uma boa formação e a mãe o tornou um cidadão operante na sociedade, este terá alguns direitos, principalmente aqueles que não ficam de braços cruzados esperando que cai do céu.
Um beijo amiga e desejo que seu filho realmente alcance a liberdade, pois como somos mães, somos responsáveis por essa conquista.
Felicidades!

O Bolinho disse...

Ah, se as minhas letras fossem amargas assim...