quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ontem encontrei o Tempo na esquina.



Ontem encontrei o Tempo na esquina. Ele estava apressado, mas como sempre, disposto e bem apessoado. Falou rápido de seus novos projetos e da felicidade de me ver. Arrancou-me gargalhadas ao relatar suas últimas peripécias na noite anterior. Havia torturado algumas almas na madrugada e infestado de criação os insones. Agora não podia me dar muita atenção, pois o trabalho o chamava. Labutava em um projeto complexíssimo no centro financeiro. Coisa grande que exigia dedicação exclusiva. Não reclamou, embora tenha transparecido preferir as missões na beira da praia ou na floresta. Perto da despedida me encarou e não mediu escrúpulos no arremate: Onde você esteve? Nunca mais te vi...Andou dormindo, foi? Ando preocupado com o seu prumo...Descompassada, sorri e o abracei com tanto amor e carinho que tinha a certeza de não mais deixá-lo escapar. Gentil, aceitou o afago, no entanto, me afastou de seu corpo lentamente, beijou meus dedos, prometeu visita e telefonema, afagou meus cabelos e pediu que não os cortasse ou pintasse para facilitar minha localização. Virou-se em direção ao oposto de tudo e sumiu.

Um comentário:

Sammy disse...

AH! o Tempo... nunca mais o vi.
Beijo.
Sammy