segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tô passando



- Sabe aquele cara que me passou o celular na boate?
- Claro! Gatíssimo!
- Pois é, passei.
- Jura? Conta! Conta!
- Passei adiante. O cara é um mala. Passou um tempão falando dos dotes culinários e santidades da mãe. Quando mudou de assunto, diante de minha cara de paisagem, quis saber mais de mim. Até me empolguei.
- E você?
- Antes que eu falasse qualquer coisa ele perguntou qual o meu time. Quando respondi que não tinha, ele passou meia-hora tentando me converter ao vascainismo.
- Ninguém merece...
- Pois é, menina. Tentando salvar a noite falei que gostei da camisa vermelha dele. Prá quê? Ele desembestou: disse que sempre usa vermelho para combinar com a cor do carro; que ele fez questão de salientar que era um Audi, com roda de magnésio liga-leve...
- Liga-o-quê? Tipo leite de magnésia?
- Sei lá, deve ser. Um carro supermegaultra um monte de coisa e blá, blá, blá...
- Como você saiu dessa roubada?
- Quando o monólogo já beirava a calibragem dos pneus da Formula 1, entreguei os pontos.
- Foi embora.
- Nada. Pulei em cima dele e passamos a noite num motel. Não deixei ele falar mais nada, mantive a boca dele ocupada até de manhã.
- Ai garota...
- Quer o telefone dele? Prá mim ele já deu o que podia dar. Tô passando.

Um comentário:

Daniel Souza disse...

Hahahaha!!
Sábia decisão. Manter-se calado é um talento que poucas pessoas possuem. Tem momentos em que olhamos pro lado e concluímos que era melhor ter ficado em casa jogando pac man e tomando groselha. Massssssss, já que a retina foi exposta, pactos trôpegos foram criados e a imaginação foi starteada, cutucada e o alarme tocou graças ao que foi ingerido, que mal tem???

Todo mundo toma um tipo de leite antes de dormir, isso que importa.

Não sou mto fã de contos enormes. Mas confesso que dei uma olhada e curti os seus. Hj mesmo ainda dou uma guaribada no restante.

De resto, mafungos. :o)