quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sem culpa



Não adianta insistir. Não carrego a culpa dos judeus nem os pecados dos católicos. Nunca fui perseguida como os palestinos nem escravizada como os africanos. Não fui vítima de preconceito, maus tratos e desconheço humilhação. Conjugo verbos intransitivos com gays e homofóbicos. Cultivo machistas e feministas no meu jardim que crescem a olhos vistos. Bebo um mixproteico de militantes esquerdistas com militares torturadores no café-da-manhã. Com padres e ateus tempero minha sopa de legumes. À minha mesa farta são bem-vindos analfabetos e intelectuais, desde que não me encham o saco com abduções, catequeses e verdades absolutas. Bebo a abstinência e fumo a culpa alheia. Para quem se importa, estou rindo por baixo.

3 comentários:

Sylvia Regina Marin disse...

Catarina,
Até com textos mínimos, você é o máximo. Adorei o "Sem culpa".
Beijos.

Anônimo disse...

Descobri esse blog por um completo acaso, mas confesso que seus contos realmente me cativaram. Posso não comentar sempre, mas saiba que acaba de ganhar um leitor assíduo.

Catarina Cunha disse...

Caro Anônimo,
Agradeço sua descoberta. Volte sempre, comente ou simplesmente passeie por aqui.