quarta-feira, 25 de junho de 2014

UM POUCO SOBRE A FÉ


Sou uma mulher de família, sensível e agnóstica por definição. Falo assim, aos poucos, para não assustar o leitor na primeira linha. Na verdade sou uma mulher sem religião, coisa que minha mãe nunca acreditou e sempre me viu como uma verdadeira cristã. Mas o olhar das mães sobre os filhos é tão insuspeito quanto inconfiável.
Ser agnóstica para mim não foi uma escolha, foi uma consequência natural de um raciocínio lógico. Nunca levantei a bandeira do ateísmo, porque não nego a existência de Deus, eu ignoro sua existência, não faz diferença na minha vida. Simples assim. Esta posição tem uma consequência: um profundo respeito pelo ser humano, os animais e este planeta. Acredito que só tenho esta vida de mamífera para viver, meus atos e palavras terão efeitos imediatos, sem milhagens celestes ou infernais.   Exatamente por isso admiro profundamente quem tem fé em Deus, invejo até, quem cultiva tão singela virtude. Quem a tem vence obstáculo mais rápido, resolve quebra-cabeças sem consultar o fundo da caixa, não precisa gastar rios de dinheiro com terapia e, se perder as chaves basta três pulinhos e uma prece rápida para São Longuinho e está tudo resolvido. Quem tem fé tem o dom de se perdoar, logo se dá ao direito de errar mais.
Não é tão simples assim. A fé é mais complexa do que sua ausência. A fé exige mais comprometimento consigo mesmo e com seus valores. Ao menos deveria ser assim.  Partindo deste princípio e conhecendo muita gente de fé que honra sua crença com sabedoria e bondade, fico aqui cutucando meus neurônios sem encontrar resposta para a seguinte questão: Por que a humanidade insiste em fazer da religião seu maior instrumento de maldade, traindo a própria fé despudoradamente? Por que não podemos viver em paz sem impor nossos dogmas aos demais? Por que eu não posso ser sua amiga?

Lembrem-se, mamíferos. 

Um comentário:

COZINHANDO PARA AMIGOS disse...

Adorei Catarina.A minha fé é na vida, nas mudanças, na natura em toda a sua acepção. Acredite, até em terremotos e enchentes. A minha catarse saiu pelos cantos da sua boca qd tínhamos 17 anos.