quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A aula na esteira de malas


Sábado, oito horas de manhã de Sol, avisando:
- Vou chegar a pino!!
Enquanto a maioria dos nativos dirige-se em hordas às praias, cinqüenta almas acomodam-se nas cadeiras canhoto-que-se-ferre para a aula-revisão-simulado de língua portuguesa. Nos olhares vagos no teto, no chão, no ar quente e em cada testa está escrito: Por que eu matei aquela aula da tia Samaritana na quarta série? Para trocar figurinha ou para jogar queimado? Nunca saberei...Seria possível desvendar os mistérios da língua-mãe nas próximas cinco horas?
- Não desiste não! Não desiste não!
O mestre negão entrou na sala, cheio de vontade. Só na entrada, tirou metade da turma do limbo e o restante prometia. Exercício vai, explicação vem, pergunta vai, resposta vem. Sempre tem na turma uma mala que sabe tudo, antes mesmo das demais babas reticentes entenderem a pergunta, a encomenda empacotada responde tudo certo. Uma vaga já é dela. A auto-estima já no dedão, escorre para o cantinho da unha encravada. Vai ser de lascar.
Advérbio vem, conjunção vai, semântica vem, gramática vai e lá está outro ilustre representante da indústria de bagagens, imbuído de pernósticas intenções de aparecer ou fazer o mestre desaparecer, fuzilando esta:
- Olha só... Há controvérsias...!!!
Trata-se de outro tipo de mala - na verdade uma pochete de napa - inversamente proporcional à primeira representante que ostenta a alcunha de mala de legítimo couro. De porco encerado, tinindo.
Controvérsias e idiotices esclarecidas; driblada a esteira de aeroporto, o mestre segue firme em seu propósito de acrescentar luz na mina escura. Coisa de Mito da Caverna. Ele deve ter uma coleção de malas no currículo. Troço louvável, deveria ser canonizado em vida.
Hora da merenda. Pausa para desopilar o fígado porque tem mais!
Pensa bem...O cara está desempregado, devendo o cheque especial, estudando o que já deveria saber e ainda tem de administrar a concorrência leal? Deve ser pré-requisito, sei lá, a inteligência emocional tão em voga neste mundão globalizado.
- Não desiste não! Não desiste não!

Um comentário:

Anônimo disse...

- Juro que nunca mais faço um vestibular, pois nunca atingi minha cota racial; vou mesmo é voltar pra Pasárgada; lá sou amigo do Rei [só espero que não tenha havido nenhum golpe-milico por lá e o rei ainda lembresse de mim ]

YvanioKunha | Email | Homepage | 04-01-2007 20:38:33



Apesar dos "malas sem alça" deve ser bom voltar aos bancos escolares, mesmo que provisoriamente. O tempo passa melhor que aprendemos coisas.

sammy | Email | 27-11-2006 12:33:35



Só me resta um comentário: "NÃO DESISTE NÃO! NÃO DESISTE NÃO!" Bjs, Marília

marilia | Email | 25-11-2006 17:37:37