sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O bom samaritano


- Tio, dá um trocado prá comprá um lanche.

- Trocado é o cacete! Não tenho inteiro e nem trocado. E se tivesse não te daria, seu bosta!

- Que-que-é-isso, tio? Tô só pedindo.

- E já está me ofendendo. Sabia que você não era para existir? Pago imposto para que não tenha que ver coisas como você. Vai lá na Prefeitura, no palácio do Governo, não me interessa, vai lá pedir dinheiro para a puta-que-te-pariu; se é que você sabe quem foi. Vaza ou te encho de porrada.

- Eu sou de menor.

- Está na cara. Menor inteligência, menor saúde, menor limpeza, menor futuro. Ô aberração, tua mãe não te abortou por falta de grana. E não me olha com essa cara de gente que você não me engana.

- Tio, paga uma empada então.

- Mas você não vale nada mesmo. Nem vergonha tem.

- Tenho sim, senhor. Tanto faz. Só quero comer qualquer coisa.

- É. Parece que o merdinha está com fome mesmo. Aí, garçon, traz uma coxa de frango no papel para este infeliz. Agora, moleque, desaparece da minha paisagem antes que eu me arrependa.

- Valeu, tio.

2 comentários:

Thaina disse...

Oi Catarina, sou eu, o Rodrigo do Degrau. Gostei mais desse bom samaritano. Você tem bons diálogos, mas nessa leva não os intercalou com as narrações. Acho que narrações muito puras perdem um pouco de vitalidade.
Seus desenhos de mouse estão ótimos. confesso que não tenho nem uma gota de paciência para isso.
Abraço,
Rodrigo.

Anônimo disse...

Ocorreu algum problema, eu não sou Thaina e nem escolhi isso.
Oi Catarina, sou eu, o Rodrigo do Degrau. Gostei mais desse bom samaritano. Você tem bons diálogos, mas nessa leva não os intercalou com as narrações. Acho que narrações muito puras perdem um pouco de vitalidade.
Seus desenhos de mouse estão ótimos. confesso que não tenho nem uma gota de paciência para isso.
Abraço,
Rodrigo.