sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O excluído


- O que você tem, menino? Engoliu uma aranha?

- Não, mãe. Preciso saber quando você e o pai vão se separar.

- Ué? Não estamos pensando nisso. Nós nos amamos. De onde você tirou essa ideia?

- Tô chateado com os coleguinhas da escola. É que os garotos ficam esfregando na minha cara que têm duas casas, dois pais, duas mães, um monte de avós...e eu aqui, nem um meio-irmão eu tenho. Não aguento mais tanta humilhação.

- Tem seu lado bom. Pai, mãe, avós, brinquedos exclusivos só para você todo o fim de semana.

- Saco. Decidi. Se vocês não se separarem eu me separo de vocês.

- É mesmo? Com dez anos na fuça vai prá onde?

- Prá casa do Igor. Lá ele tem até um terço de irmão, filho do segundo casamento da atual mulher do pai dele. Coisa fina.

- Filho, o amor tem várias formas. Todas são certas. O importante é que você é amado e sempre será.

- Tá bom. Você e o pai podem continuar juntos. Eu vou ficando por aqui pelo menos até um de vocês tomar vergonha na cara, arranjar amante e me dar um meio-irmãozinho.

Um comentário:

Anônimo disse...

vita moderna, real e alucinante... ou não?! seu dedo, Catá, vai direto no ponto crítico, mas ao mesmo tempo é leve e faz uma coceguinha...
my