sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Interagindo na área de risco


- Mãe, estou morrendo de fome...
- Deixa que eu faço um macarrão prá você, filho.
- Então acende o fósforo.
- Eu não. Vai explodir tudo.
- Claro que não. Não está vendo que o gás está fechado.
- Vazando. Sinto o cheiro.
- Já botei sabão na borboleta do fogão e não borbulhou.
- Continuo sentindo cheiro de gás.
- Fui eu, e daí?
- Olha lá, heim...
- Pronto, abri o gás.
- Lá vai...
- Viu? Acendeu tranqüilo. Agora bota a panela prá ferver.
- Já botei.
- Com água, não é mãe?
- Claro, claro, peraí...
- Cortou a cebola e o alho?
- Eu não. Faca é perigoso. Tem um mix de temperos ótimo aqui.
- Ih, mãe... Deixa que eu faço.
- Tá bom. Eu fico com a louça. É mais seguro assim.
- Olha a água.
- Tô olhando.
- Ferveu?
- Há um tempão...
- Por que não avisou?
- Você não falou nada...
- Tá legal, mãe. Bota o macarrão na água enquanto eu faço o molho de salsicha.
- Cuidado, meu filho, a água pode respingar em você.
- Deixa que eu ponho. Agora é só mexer de vez em quando.
- Sinto cheiro de queimado.
- É a cebola fritando.
- Não passou do ponto?
- Não mãe, tá tudo dominado.
- Sei.
- O macarrão tá pronto?
- Não sei.
- Experimenta, mãe.
- Tá quente.
- Tá pronto.
- Beleza, filho.
- Vamos ao que viemos!
Algumas horas depois...
- Bem, hoje fiz um macarrão para o nosso filho e ele adorou!
- Você fez?
- É. Ele ajudou um pouco... Deu trabalho, mas ficou ótimo!

Um comentário:

valéria rollemberg disse...

acho que conheço os personagens...
vc escreve maravilhosamente bem! ao ler tenho a sensação de já ter vivido... vagas lembranças...
beijos,
valéria rollemberg