Coragem, dezembro
Caixinhas, comprinhas, lembrancinhas, íntimos esquecimentos; vinhas e rinhas de Natal, não há perdão. Impossível traduzir todo o seu amor em objetos horrorosos. Forcas bipolares travestidas de guirlandas seduzem inocentes décimos terceiros salários. Papai Noel se multiplica em varandas envidraçadas. Bizarros arranjos penduram o velho barbudo vermelho entre luzes e pedidos de revanche, a memória escorre nos umbrais. Ambulâncias urgem enquanto shopping centers lotados de calos e dívidas futuras piscam sedutores. Pisca-piscas incendiários, presépios decorados com alienígenas fluorescentes em miniatura: nada a declarar por suas santidades. O povo quer mais. Dingobel, dingobel, acabou o papel. Hoje vai bater 40 graus. Vai cair o maior toró. Não faz mal, não faz mal, limpa com jornal. Sensação térmica de 46 graus, e olha que não chegou nem o verão. Esqueceram o vestilador ...